Uma análise acadêmica batizou o Paraguai de "tigre guarani", em referência aos tigres asiáticos de crescimento acelerado, mas fez questão de contrastar o brilho do PIB com indicador de desenvolvimento humano que ainda deixa a desejar, um contraponto raro no meio de tanta reportagem só celebrando o boom paraguaio.

Vale notar que esse tipo de análise acadêmica raramente circula com o mesmo alcance que reportagem otimista sobre investimento e migração, o que ajuda a explicar por que a imagem pública do Paraguai no Brasil segue tão mais positiva do que a realidade completa do país sugeriria.
O texto acadêmico argumenta que o crescimento de PIB elevado não se traduziu, até agora, em melhora proporcional de indicador como educação, saúde pública e distribuição de renda, medidos pelo Índice de Desenvolvimento Humano.
O que isso explica sobre o custo de vida baixo
Para brasileiro que se muda pensando só em vantagem fiscal e custo de vida baixo, essa análise é lembrete importante: os mesmos indicadores de infraestrutura pública mais fraca, saúde e educação, que explicam parte do custo de vida menor, são exatamente os que fazem a maioria do expatriado optar por serviço privado em vez de depender da rede pública paraguaia.
Finalmente um texto que não vende ilusão
Esse é um dos poucos textos entre as fontes levantadas que oferece visão crítica e equilibrada, contrastando o entusiasmo generalizado da cobertura econômica com retrato mais completo do país. Vale destacar como referência para quem quer entender o Paraguai além do discurso de paraíso fiscal recorrente em conteúdo voltado a atrair investidor e migrante.
Mesmo essa análise, porém, trata crescimento de PIB e melhora de IDH como processos que deveriam automaticamente andar juntos, quando a literatura econômica mostra que essa relação não é automática e depende de escolha política deliberada de redistribuição, tema que o texto menciona mas não aprofunda em termos de solução concreta para o país.
Vale registrar que essa mesma tensão entre crescimento econômico acelerado e desenvolvimento humano capenga já apareceu em outros países da região em décadas anteriores, sem que a lição tenha sido plenamente aprendida por quem hoje celebra o Paraguai sem esse contraponto.
Para quem se muda pensando só na vantagem fiscal, vale carregar essa dose de realidade junto: o mesmo país que cobra menos imposto também investe menos, proporcionalmente, em rede pública de qualidade, e essa equação não muda só porque o visitante estrangeiro tem renda para pagar plano privado.
Até que crescimento e desenvolvimento humano andem de fato juntos, o "tigre guarani" seguirá sendo mais promessa de longo prazo do que conquista já consolidada.
Fica o lembrete final de que número de PIB bonito no papel não substitui investimento real em saúde e educação para quem vive no país o ano inteiro.
PIB bonito no papel não substitui investimento real em quem vive lá o ano inteiro.
No fim, o número que estampa a manchete é só o começo da história, não o resumo completo dela, e quem se contenta com a versão curta perde justamente a parte que mais importa para decidir com clareza.
Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros