Comércio, construção civil privada impulsionada pela entrada de capital estrangeiro, o setor de serviço e a pecuária, favorecida pelo preço internacional alto da carne, são os setores que mais puxam o crescimento da economia paraguaia neste ciclo, segundo dado oficial do país.

Vale notar que esse mix de setor, forte em commodity e capital externo, fraco em inovação de alto valor agregado, é o mesmo padrão que historicamente caracterizou fase inicial de crescimento em vários países da América Latina antes deles enfrentarem o que economista chama de armadilha da renda média, quando o crescimento fácil baseado em vantagem comparativa simples esgota o próprio fôlego.
A construção civil privada aparece impulsionada especificamente pela entrada de capital estrangeiro no setor imobiliário, incluindo forte presença de comprador brasileiro, enquanto o crescimento industrial é citado como puxado pela chegada de empresa brasileira transferindo operação para o país.
Saber onde está a oportunidade real
Entender quais setores puxam o crescimento ajuda o investidor a identificar onde a oportunidade está de fato concentrada, em vez de assumir que a economia paraguaia cresce de forma uniforme em todos os ramos de atividade ao mesmo tempo.
Um crescimento que depende de commodity e capital externo
Crescimento concentrado em comércio, construção civil e pecuária, sem menção forte a inovação tecnológica ou setor de alto valor agregado, é característico de economia em estágio inicial de desenvolvimento, dependente de ciclo de commodity e entrada de capital externo. É um padrão que historicamente já mostrou vulnerabilidade a reversão quando o cenário internacional muda, como uma queda no preço da carne.
A dependência do setor imobiliário do capital brasileiro também levanta questão de sustentabilidade: parte relevante do crescimento reportado depende da continuidade do próprio fluxo migratório e de investimento vindo justamente do Brasil, criando uma retroalimentação entre os dois fenômenos que a cobertura econômica trata como fatos separados, quando na prática estão interligados.
Vale registrar também que economia dependente de poucos setores costuma sofrer mais em recessão global do que economia diversificada, então o mesmo padrão de crescimento que impressiona hoje pode se tornar vulnerabilidade amanhã, se o preço da carne cair ou o fluxo de capital estrangeiro para construção civil secar de repente.
Não é previsão de que isso vai acontecer com o Paraguai, é lembrete de que sustentar esse ritmo de crescimento no longo prazo vai exigir, em algum momento, diversificação para setor de maior valor agregado, desafio que nenhum dos dados otimistas divulgados até agora resolve sozinho.
Diversificar a base produtiva antes que o ciclo favorável se esgote é o desafio que toda economia em ascensão baseada em commodity acaba enfrentando mais cedo ou mais tarde.
Fica o registro de que economia concentrada em poucos setores tende a crescer rápido no curto prazo e a sofrer mais na primeira reversão de ciclo internacional.
Diversificar antes que o ciclo vire é o desafio real que ainda falta resolver.
No fim, o número que estampa a manchete é só o começo da história, não o resumo completo dela, e quem se contenta com a versão curta perde justamente a parte que mais importa para decidir com clareza.
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Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros