Negócios

Mais de 230 Empresas Brasileiras Já Produzem no Paraguai

Levantamento do governo paraguaio mostra mais de 230 empresas brasileiras operando no país via Lei de Maquila, atraídas por incentivo fiscal e mão de obra mais barata.

Redação PY2BR

Atualizado 25 de mai. de 2026 · Fonte oficial: consultar

Mais de 230 empresas brasileiras já produzem no Paraguai, segundo levantamento do próprio governo paraguaio. Nos últimos quatro anos, 66 delas abriram operação por lá, atraídas por uma combinação que qualquer empresário reconhece de longe: menos imposto, mão de obra mais barata e uma lei que praticamente elimina a burocracia de importar insumo e exportar produto pronto.

Fábrica têxtil em operação representando empresa brasileira no Paraguai
A Lei de Maquila é o principal motor por trás da migração industrial brasileira para o Paraguai.

Vale lembrar que nem toda empresa que migra fecha operação no Brasil por completo. Boa parte mantém sede administrativa e parte da produção por aqui, transferindo só a etapa mais intensiva em mão de obra ou energia para o Paraguai, um detalhe que a manchete de "empresa migrando" costuma simplificar como se fosse mudança total, quando na prática é decisão de engenharia de custo mais cirúrgica.

A maior parte dessas empresas opera pela Lei de Maquila, um sistema de terceirização internacional que permite mandar maquinário e matéria-prima para o Paraguai com suspensão total de imposto de importação. A mercadoria processada volta para exportação, e a operação paraguaia fica isenta dos tributos tradicionais, pagando só uma alíquota única sobre o serviço prestado.

Por que isso interessa a quem pensa em migrar produção

Para o empresário brasileiro que só ouviu falar do Paraguai como destino de compra de eletrônico mais barato, esse número é um sinal de que o país virou também destino industrial sério. Não é mais experiência isolada de uma ou outra fábrica pequena: já é escala suficiente para ter fornecedor especializado, despachante aduaneiro experiente e escritório de contabilidade que só atende empresa em regime de maquila.

Isso baixa o custo de entrada para quem quer seguir o mesmo caminho. Empresa que abre operação hoje encontra ecossistema mais maduro do que a primeira leva que migrou há alguns anos, quando cada detalhe precisava ser descoberto na tentativa e erro.

O número que todo mundo repete sem verificar direito

Aqui vale uma pausa cética. O "mais de 230 empresas" circula em praticamente toda reportagem sobre o tema, mas raramente com a mesma fonte primária ou metodologia de contagem citada. Número que se espalha tão rápido sem verificação cruzada tende a virar verdade por repetição, não por comprovação.

Trate esse valor como ordem de grandeza aproximada, não como estatística auditada linha por linha. E não esqueça do outro lado da moeda: vantagem tributária concedida por lei pode ser revista pelo próprio governo que a criou. Quem monta operação pensando só no benefício de hoje assume um risco regulatório que a euforia da manchete não menciona.

Vale registrar que a maior parte da cobertura sobre esse número vem de veículo que também vende serviço de consultoria para quem quer migrar operação, um conflito de interesse discreto que não invalida o dado, mas que explica por que a narrativa costuma soar mais como convite do que como jornalismo isento.

Fica também sem resposta se o governo brasileiro tem algum plano concreto de resposta a essa fuga, além do discurso de campanha. Enquanto isso não aparece, o fluxo tende a continuar exatamente pela mesma lógica que o levou a começar.

Leia também

Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros