O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou publicamente que a saída de empresa brasileira rumo ao Paraguai começou durante o governo anterior, respondendo a crítica sobre o fenômeno durante a atual gestão, e a fala entrou direto na disputa política sobre quem seria "responsável" pela migração empresarial.

Vale notar que esse tipo de troca de acusação entre governo e oposição sobre quem "perdeu" mais empresa para o Paraguai é recorrente em qualquer ciclo eleitoral brasileiro, e tende a se intensificar quanto mais perto da próxima eleição o país estiver.
Diferentes espectros políticos passaram a disputar a narrativa sobre o tema, cada lado usando o mesmo conjunto de dados para apontar o dedo para o outro.
Para o empresário, a disputa política pouco importa
Para quem está avaliando essa decisão de negócio na prática, a disputa em torno de quem tem culpa pouco muda: os fatores concretos, carga tributária de 10%, mão de obra mais barata, energia mais acessível, continuam sendo os mesmos independentemente de qual governo levou a culpa na imprensa naquela semana.
Fala de ministro em defesa própria não é análise técnica
Declaração de ministro sobre tema econômico complexo, feita em contexto de defesa política, deve ser lida com o mesmo ceticismo que qualquer outra fala partidária. É resposta a crítica, não análise técnica isenta sobre quando exatamente o fenômeno começou ou se acelerou.
O debate sobre de quem é a culpa desvia a atenção do que realmente importaria discutir: por que a estrutura tributária e trabalhista brasileira torna a migração tão vantajosa, e o que poderia ser feito estruturalmente para reduzir esse incentivo. Nenhuma cobertura sobre a polêmica avança essa discussão de política pública de fato.
Vale registrar que nenhum dos dois lados da disputa apresenta, junto com a acusação, uma proposta concreta de política pública para reverter o incentivo à migração empresarial, o que sugere que a discussão pública sobre o tema está mais interessada em ganhar o debate do momento do que em resolver o problema de fato.
Para o leitor que só quer entender o fenômeno em si, sem entrar na disputa partidária, o conselho é simples: ignore quem está sendo culpado no noticiário da semana e preste atenção na estrutura tributária e trabalhista que segue sendo a mesma independente de quem ocupa o cargo.
Enquanto a disputa de narrativa continuar mais interessante politicamente do que a solução técnica, o incentivo à migração empresarial vai seguir intacto, não importa quem esteja no poder.
Fica o registro de que essa disputa política provavelmente vai se repetir na próxima eleição, com os mesmos números sendo reciclados por lados opostos, sem que a causa estrutural do fenômeno mude uma vírgula.
A estrutura que causa o fenômeno segue intacta, não importa quem venha a levar a culpa da vez.
No fim, o número que estampa a manchete é só o começo da história, não o resumo completo dela, e quem se contenta com a versão curta perde justamente a parte que mais importa para decidir com clareza.
Fica o registro final de que declaração ministerial em contexto de defesa política raramente resolve debate técnico de verdade, só posterga a discussão real para depois da próxima eleição, quando o ciclo inteiro tende a se repetir.
Leia também
Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros