A energia elétrica industrial no Paraguai pode custar até 60% menos que a brasileira, uma vantagem estrutural sustentada pela energia hidrelétrica abundante das represas de Itaipu e Yacyretá, e que pesa tanto ou mais que a vantagem tributária na decisão de indústria migrar.

Vale lembrar também que essa vantagem não é resultado de política industrial recente, é herança de um contrato binacional assinado décadas atrás. O Paraguai não "criou" essa vantagem, ele apenas a colhe, o que muda a leitura de quanto essa vantagem é replicável por outro país que queira competir pelo mesmo tipo de indústria.
O Paraguai é dono de metade da energia gerada por Itaipu, e a maior parte dela é vendida ao Brasil por contrato bilateral. O excedente doméstico mantém o preço de energia industrial no país artificialmente baixo comparado ao padrão regional.
Para quem depende de energia, é o fator que mais pesa
Para setor industrial intensivo em energia, como metalurgia, processamento de alimento e têxtil, essa vantagem de custo pode ser decisiva na conta final de competitividade, mais até do que a alíquota de imposto isolada. É o tipo de vantagem que não desaparece com mudança de governo ou reforma tributária, o que a torna especialmente atrativa no longo prazo.
A vantagem tem limite geográfico e político que ninguém menciona
A cobertura raramente menciona que essa energia depende de infraestrutura de transmissão que pode não estar disponível ou ser cara de acessar fora dos grandes centros urbanos, o que limita na prática quais regiões do país realmente entregam essa vantagem de custo para uma indústria específica.
Existe também uma dimensão geopolítica pouco discutida: o contrato de Itaipu entre Brasil e Paraguai passa por revisão periódica, e mudança nas condições desse acordo bilateral poderia, em tese, afetar a disponibilidade e o preço futuro dessa energia. É um risco de longo prazo que nenhuma matéria sobre o tema trata como permanente, quando na verdade não é.
Vale registrar que o Brasil também recebe energia de Itaipu pelo mesmo contrato, então parte da vantagem energética que a indústria sente no Paraguai vem da mesma fonte que abastece o Sul e Sudeste brasileiro, só que com estrutura tarifária e de distribuição diferente do lado paraguaio.
Para empresa que decide migrar só por causa da energia, vale simular o cenário de longo prazo com cautela: vantagem estrutural historicamente estável, mas amarrada a acordo internacional, sempre carrega um risco residual de renegociação que merece estar na planilha, não só na expectativa.
Vantagem herdada de contrato antigo é vantagem real, mas também é vantagem que não depende de mérito ou inovação recente, detalhe que a narrativa de "Paraguai moderno e competitivo" prefere não enfatizar.
Fica o registro de que vantagem energética herdada de acordo antigo é ativo valioso, mas não deveria ser confundido com política industrial recente e replicável por qualquer concorrente regional.
Vantagem herdada não é mérito recente, e a narrativa de modernidade esconde essa origem.
No fim, o número que estampa a manchete é só o começo da história, não o resumo completo dela, e quem se contenta com a versão curta perde justamente a parte que mais importa para decidir com clareza.
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Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros