Contratar formalmente um trabalhador no Paraguai custa de 30% a 40% menos do que no Brasil, mesmo com salário mínimo nominal semelhante entre os dois países, segundo levantamento do setor empresarial que ajuda a explicar por que tanta indústria brasileira está de malas prontas.

Esse tipo de comparação de custo também costuma ignorar diferença de produtividade setorial: um trabalhador brasileiro em setor de alta tecnologia não é diretamente comparável a um trabalhador paraguaio em manufatura básica, mesmo que a estatística agregada sugira comparação direta de custo por cabeça.
A diferença vem principalmente de encargo trabalhista e previdenciário mais baixo no Paraguai, que reduz o custo total de folha de pagamento para o empregador, mesmo pagando salário bruto parecido ao brasileiro.
Por que esse número pesa mais que o imposto na decisão
Para empresa que avalia migrar operação, esse dado costuma pesar tanto ou mais que a vantagem tributária isolada, já que folha de pagamento é um dos maiores custos fixos de qualquer negócio intensivo em mão de obra. É a soma dos dois fatores, não um isolado, que faz a conta fechar tão bem para quem decide sair do Brasil.
Menos custo para a empresa é menos proteção para o trabalhador
Custo de contratação mais baixo para o empregador é, do ponto de vista do trabalhador paraguaio, o outro lado da mesma moeda: menos encargo trabalhista tende a significar também menos proteção social e previdenciária acumulada para quem trabalha no país. É uma faca de dois gumes que a cobertura voltada ao empresário raramente menciona pelo ângulo de quem está sendo contratado.
A comparação de "30% a 40% mais barato" também não detalha se considera produtividade equivalente por trabalhador entre os dois países, variável essencial para saber se a economia de custo se traduz em vantagem competitiva líquida de verdade, ou se parte dela é compensada por outro fator operacional que a manchete não menciona.
Também merece registro que esse tipo de comparação de custo trabalhista é frequentemente usado como argumento de pressão em debate sindical no próprio Brasil, com empregador citando o Paraguai como ameaça implícita em negociação salarial, uso político do dado que vai bem além da simples decisão de onde abrir fábrica.
De todo modo, para o empresário que já decidiu migrar, esse número funciona como validação adicional da conta que ele já estava fazendo. A pergunta que fica, e que raramente aparece em discurso empresarial, é se esse mesmo empresário aceitaria as mesmas condições de proteção trabalhista reduzida se estivesse do outro lado da mesa, como empregado, não como patrão.
Vantagem de custo que depende de menos proteção para quem trabalha é vantagem que deveria vir sempre acompanhada dessa pergunta incômoda, não só da conta final favorável ao empregador.
Fica o convite para quem avalia essa vantagem de custo também perguntar que tipo de relação de trabalho está disposto a sustentar em nome da economia gerada.
Essa pergunta incômoda deveria acompanhar sempre a conta favorável ao empregador.
No fim, o número que estampa a manchete é só o começo da história, não o resumo completo dela, e quem se contenta com a versão curta perde justamente a parte que mais importa para decidir com clareza.
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Escrito por Redação Portal Paraguay para Brasileiros